Mensageiro de Jesus

“Não vim para abolir a lei e os profetas”

Jesus e Seus MandamentosNessa passagem do Evangelho, em (Mt 5, 17-37), Jesus reconduz os mandamentos à sua raiz e ao seu objetivo último: o serviço, a vida, à justiça, ao amor, à verdade. Não se opõe à lei antiga uma nova lei, e sim a transforma e a leva para uma realidade sem precedentes, rompendo todos os moldes e critérios que deram origem a qualquer legislação humana. No centro dessa parte do Sermão da Montanha, está o respeito sagrado à pessoa e a denúncia contra tudo aquilo que mesmo camuflado por artificio legal, atente contra a dignidade do homem e da mulher.

Deus implantou na alma humana uma luz intelectual pela qual o homem conhece que o bem deve ser praticado e o mal, evitado. Essa luz não se apagou com o primeiro pecado, mas permanece em nossa alma. Conforme afirma o Concílio Vaticano II, o homem “tem no coração uma lei escrita pelo próprio Deus”, a lei natural. Por isso, para poder pecar, o homem recorre a falsas razões que sufocam sua reta consciência e levam o entendimento a apresentar à vontade o objeto desejado como um bem.

À vista disso, tornou-se indispensável além do selo impresso por Deus no mais íntimo das nossas almas, a existência de preceitos concretos a lembrar-nos de forma clara sem nenhum engano, o conteúdo da lei natural. São eles os Dez Mandamentos entregues por Deus a Moisés no Monte Sinai.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Não penseis que vim abolir a Lei e os profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento”.

Nosso Senhor não é só o autor da lei, mas também a Lei viva. Assim como dizemos que “o Verbo Se fez carne” (Jo 1, 14), podemos afirmar que “a Lei de Deus Se fez carne e habitou entre nós”. No Divino Mestre se encontram os Dez Mandamentos no estado de divindade, pois, o que fez Ele na sua vida terrena senão praticar a todo momento o Primeiro Mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus sobre todas as coisas”.

“Em verdade, Eu vos digo: antes que o Céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra”.

Ora, a Lei sintetizada nos preceitos do Decálogo é absoluta e permanente, conforme ensina o Catecismo da Igreja Católica:”Visto que exprimem os deveres fundamentais do homem para com Deus e para com o próximo, os Dez Mandamentos revelam, em seu conteúdo primordial, obrigações graves. São essencialmente imutáveis, e sua obrigação vale sempre e em toda parte. Ninguém pode dispensar-se deles”.

“Portanto, quem desobedecer a um só destes Mandamentos, por menor que seja, e ensinarem os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino dos Céus”.

Ora, pior que desobedecer aos preceitos da Lei divina é criar ou propagar uma doutrina que convide a transgredi-los. Quem assim procede perde, sem dúvida, a graça de Deus e, caso não se emendar, “será considerado mínimo no momento do Juízo; ou seja, será reprovado, será o último. E o último cairá sem dúvida alguma, no inferno”.

“Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus”.

Jesus nos adverte aqui ser indispensável, para entrar no Reino dos Céus, praticar uma virtude “maior” que a dos fariseus e mestres da Lei. Ou seja, não se prender às exterioridades, nem fazer enganosas racionalizações, mas cumprir de fato em sua integridade, amorosamente, os Dez Mandamentos.

“Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu de juízo; quem disser ao seu irmão: patife! será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de tolo, será condenado ao fogo do inferno. Portanto, quando tu estiveres levando sua oferta para o altar, e aí te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta aí diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta.

Os fariseus consideravam o homicídio um pecado gravíssimo, mas não reputavam ser falta moral encolerizar-se com o irmão, ou dizer-lhe toda espécies de desaforos. Nosso Senhor mostra-lhes que quem age assim também será réu no dia do Juízo, pois, ao se deixar levar deste modo pelo ódio, ele já entrou nas vias que conduzem ao homicídio, participando em certa medida desse crime e merecendo, por isso, o suposto castigo.

“Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu será jogado na prisão. Em verdade Eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.

Trata-se de agir com total integridade no caminho rumo ao derradeiro julgamento. De nada valerão racionalizações com as quais burlamos nossa consciência, porque jamais será possível ludibriar a Deus. Ele está dentro de nós e nós estamos dentro dEle. Tudo se faz em sua presença, e todos os nossos atos virão a tona no dia do Juízo Final para serem conhecidos pela humanidade e pelos anjos.

“Ouvistes o que foi dito: Não cometerás adultério. Eu, porém vos digo: Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possui-la, já cometeu adultério no seu coração. Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros, do que todo teu corpo ser jogado no inferno. Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros, do que todo teu corpo ir para o inferno”.

A Lei de Moisés condenava o adultério e castigava-o com a morte. Mas a moral farisaica, fundada em ritos e exterioridades, em nada se importava com os olhares maliciosos e de maus desejos.

“Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração”: refere-se aqui Nosso Senhor ao Nono Mandamento do Decálogo, o qual condena também o pecado interior: “Não cobiçarás a mulher do teu próximo”. Logo a seguir, o Divino Mestre frisa a radicalidade que devem ser praticados os Mandamentos, exortando-nos a levar até os últimos extremos o princípio da fuga das ocasiões de pecado.

“Foi dito também: Quem se divorciar de mulher, dê-lhe uma certidão de divorcio. Eu, porém, vos digo: Todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por motivo de união irregular, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério”.

Moisés estabeleceu que se um homem, tendo escolhido uma mulher, casar-se com ela e vier a odiá-la por descobrir nela qualquer inconveniente, escreverá uma carta de divórcio, lha entregará na mão e a despedirá de sua casa. Ora, as interpretações dessa passagem bíblica deram margem a escandalosos abusos, a ponto de ser o divórcio, um mal gravíssimo do povo judeu, no tempo de Jesus.

“Vós ouvistes também o que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor. Eu, porém, vos digo: Não jureis de modo algum: nem pelo Céu porque é o trono de Deus, nem pela Terra, porque é o suporte onde apoia os seu pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. Não jures tampouco pela tua cabeça, porque tu não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo”.

A Lei de Moisés, “proibia expressamente o falso juramento, mas, ressalvado isso, eles podiam jurar. No tempo de Jesus, o abuso de jurar a qualquer propósito alcançara um grau inacreditável, e isso O levou a condenar explicitamente, neste Sermão da Montanha, todo tipo de juramento: “Não jureis de modo algum”.

“Seja o vosso sim: Sim, e o vosso não: Não. Tudo o que for além disso vem do maligno”.

Nossa vida deve ser um perpétuo “sim” a tudo quanto Cristo espera de nós, e um firme “não” às propostas e sugestões do maligno.

Hoje, mais do que nunca, é preciso lembrar que a Lei de Deus não é um castigo pelo pecado dos nossos primeiros pais, mas sim um precioso meio de nos tornar mais semelhantes a Ele. Pois, são as faltas praticadas pelo homem e não os preceitos divinos, que tolhem sua liberdade: “todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo” (Jo 8, 34).

Deus lhe dá a liberdade para escolher. Ou você está na Lei da Misericórdia Divina ou na Lei da Justiça de Deus. Não há uma terceira opção.

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Reinaldo

Reinaldo

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