Mensageiro de Jesus

Vencendo as provações da vida!

 

Provações“Considerai que é de suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações, sabendo que a prova de fé produz a paciência”. (Tg 1, 2-3)

Há mais ou menos seis anos atrás, precisei ficar sem minha condução própria. Por falha minha, eu havia comprado um fusca há alguns anos atrás e não tinha transferido seus documentos para o meu nome. Ao passar por um comando policial que verificava se as documentações dos carros estavam em ordem, meu carro foi recolhido porque seu ex dono tinha uma dívida na justiça. Assim eu perdi o meu carro.

Nesta hora difícil que vi que iria passar por uma dura provação, coloquei-me de joelhos no chão e falei com Deus assim: Eu sei Senhor, que tens um plano para mim, sei também que ele irá se cumprir. Tu és o Deus do meu coração, minha vida eu entrego em suas mãos. Mesmo que a tempestade me alcançar e o vento forte queiram me derrubar, eu não temerei, pois sei que comigo estás.

Moro num lugar que fica a um quilometro longe da rodovia e a doze quilômetros da cidade. Por ser na zona rural, onde são poucos os moradores, o transporte coletivo é muito precário. Na época, durante a semana, quem precisasse ir à cidade, teria que usar o ônibus escolar que saía ás 06 horas e 30 minutos da manhã, ás 12 horas, ou ás 16 horas e 30 minutos da tarde.

Aos domingos, por não haver alunos para transportar, não havia ônibus. Quem quisesse ir à cidade, teria que usar sua própria condução, como eu havia perdido a minha, só tinha um jeito de ir.

Como eu era e ainda sou um cristão-católico acostumado a seguir corretamente minha religião, e isso inclui: ir à missa aos domingos. Eu levantava às quatro horas da manhã, comia alguma coisa, vestia um tênis folgado no pé, colocava em uma mochila: minha Bíblia, um guarda-chuva, uma capa, um boné, um protetor solar e uma garrafa de água e com a arma do cristão-católico na mão, o terço e Jesus no coração, pegava a estrada.

Algumas coisas me preocupavam: as cobras que poderia encontrar pelo caminho, os cães ferozes que sabia que moravam nas chácaras por onde teria que passar e os automóveis na pista.

Para me proteger e acabar com meus receios, eu pedia a intercessão de Maria orando assim: Mãe Santíssima têm misericórdia de mim, manda teus anjos e santos comandados por São Miguel Arcanjo, para me guiar e proteger nesta caminhada rumo à casa do Pai. E, sem medo algum, pois tinha a certeza que estava sob sua proteção, em meio à escuridão, eu nunca levava lanterna, rezando o terço, lá ia eu estrada o fora, rumo à cidade.

Todo domingo, pontualmente às 4h30min da manhã começava minha peregrinação até a Igreja Nossa Senhora da Piedade, no centro da cidade de Piedade.

O primeiro quilometro era o mais difícil, pois além de ser estrada de terra, com seus buracos, pedras e as vezes barro, tinha que enfrentar quatro subidas muito íngremes . Essa região por estar no alto da Serra de São Francisco é muito montanhosa. Quando chegava à pista era um grande alívio para mim.

Já na rodovia, naquela escuridão, quando não era noite de lua , eu me posicionava no centro da estrada, onde me guiava pela faixa central e pé na estrada. Tinha que andar depressa se quisesse participar da missa que começava ás 8 horas.

Vocês não podem imaginar a sensação gostosa que sentia nesses primeiros momentos na pista; naquela escuridão, no silêncio da noite, aquele cristão “louco” sim, louco de amor por Jesus, caminhando a passos largos, com certeza acompanhado de anjos e santos, rumo á Igreja. Só se ouvia o barulho de meus passos no asfalto: lep, lep, lep…

Com os ouvidos atentos e os olhos bem abertos por causa dos carros, lá ia eu. De vez em quando ouvia o roncar do motor de um carro ou moto que vinha pelas costas, ou enxergava um faixo de luz lá longe, que vinha em minha direção. Como em quase 90% da estrada não havia acostamento, o jeito era entrar no mato até o carro passar.

No começo da pista era gostoso, + ou – 500 metros de descida depois começavam a subida, quase 3000 metros só subindo, e sem parar até que bem lá na frente, perto do bairro Juruparázinho, onde existe um abrigo de ônibus, eu parava, sentava no banco, passava a mão na garrafa d’água e bebia até a metade e ali descansava por dez minutos.

Esses dez minutos eram os mais lindos da caminhada, pois já estava começando a clarear, e eu ali, sentado no alto da montanha, bem pertinho do céu, apreciando o dia amanhecer. Devagarzinho a escuridão ia se dissipando e dando lugar a luz do dia, onde podia ao som de uma orquestra formada pelos passarinhos do lugar, visualizar os primeiros raios solares aparecerem no céu.

Então, extasiado por esse momento tão lindo, erguia as mãos para o céu e agradecia a Deus dizendo: Obrigado Senhor, por mais um dia, obrigado Senhor, por eu estar aqui curtindo este amanhecer tão bonito.

Bem, são somente dez minutos, estou ainda muito longe da Igreja. Ajeito a mochila nas costa e com o terço na mão pego a estrada novamente rezando: Ave Maria cheia de graça…

Era muito gostoso, aquele arzinho frio das manhãs piedadenses no rosto, ia enfrentando a descida do Juruparazinho, que de tão forte que é, preciso descer freando. E logo a seguir iniciar a subida mais difícil da estrada, não podia fraquejar, precisava ir ao mesmo ritmo, com passos largos e rápidos, se eu parasse no meio da subida seria muito difícil a retomada, vamos lá, lep, lep, lep…

 Neste lugar existe um trecho bastante íngreme, lá no alto, uma parte plana e novamente uma forte subida. Para chegar lá no final, eu demorava quase trinta minutos sem parar, o esforço era muito grande prá mim que já tinha 64 anos de idade, ao fim da subida eu parava um pouco e comemorava, graças a Deus mais uma vez conseguira subir, esperava então a respiração normalizar e com passadas firmes seguia em frente rezando: Ave Maria cheia de graça…

Neste trecho da estrada já conseguia visualizar as casas do bairro dos Garcias. Um pouco mais à frente perto da escola do bairro, parava no abrigo de ônibus. Precisava descansar um pouco, estava com sede, então sentava no banco e bebia toda água da garrafa. Até chegar neste local eu já havia caminhado oito quilômetros, dava uma olhada nas horas e seguia estrada a fora rezando: Ave Maria cheia de graça…

Daí em diante, serão mais dois quilômetros descendo, para chegar à cidade. Nesta descida vou entrando no bairro dos Moreiras. Dalí já conseguia visualizar a cidade e até chegar lá em baixo, eu terminava de rezar o quarto terço, completando assim, o Rosário de Nossa Senhora. A palavra Rosário vem do latim e significa “Coroa de Rosas”. Nossa Senhora em uma de suas aparições revelou que toda a vez que rezamos o Rosário completo, lhe damos de presente uma Coroa de Rosas. Depois da Santa Missa o Terço é a mais poderosa arma contra os ataques de Satanás. Ele é como que um segundo memorial e representação da vida e da Paixão de Jesus Cristo.   Maria é a única pessoa no mundo que fez uma experiência trinitária com a Santíssima Trindade. Ela foi escolhida pelo Pai, para gerar o Filho, à luz do Espírito Santo.

Sobre o fundo das palavras da Ave Maria passa, diante dos olhos da alma, os principais episódios da vida de Jesus Cristo. Eles se dispõem no conjunto dos Mistérios Gozosos, Dolorosos, Luminosos e Gloriosos, e nos colocam em comunhão viva com Jesus, através do coração de Sua Mãe.

Podemos incluir, nas dezenas do Rosário, todos os fatos da nossa vida, da família, da nação, da Igreja, e da humanidade. Acontecimentos pessoais e do próximo, daqueles que nos são mais familiares e que mais estimamos. A oração do Rosário marca o ritmo da vida humana.

O rosário é uma oração que surgiu no coração da Igreja como um precioso caminho de intimidade com Deus, um dom do Espírito Santo para a santificação dos fiéis.

Neste momento estou entrando na cidade, são só mais dois quilômetros de subidas e descidas pelas ruas de Piedade e chegarei à Igreja. E lá vou eu caminhando rapidamente para chegar à Matriz com tempo de descansar um pouco antes da Santa Missa.

Todo esse esforço que semanalmente fazia, valia a pena, pois como lemos na Bíblia em Hebreus cap. 4, vers. 16, é lá na Igreja que Deus me abençoará: “Tenhamos confiança e cheguemos perto do trono divino, onde está a graça de Deus. Ali receberemos misericórdia e encontraremos graças e bênçãos sempre que precisarmos de ajuda”.

Enfim, chego a Casa do Pai. Normalmente ás 7 horas e trinta minutos eu estava fazendo o Sinal da Cruz para entrar na Igreja, depois seguia até o fundo dela onde fica a Capela do Santíssimo e lá em sinal de respeito, me ajoelhava diante de Jesus no Santíssimo Sacramento e lhe agradecia por mais uma vez ter chegado a tempo de participar da Santa Missa.  Obrigado Senhor!

Então, ali reunido em comunidade com o sacerdote, os ministros, leitores, cantores e todo o povo de Deus, participava da Celebração da Santa Missa, onde entrava em contato com o Pai Eterno através da Sua Palavra e em comunhão com Jesus Cristo através da Santa Eucaristia.

Terminando a celebração, todo feliz contente e cheio do Espírito Santo, lá ia eu enfrentar a volta para casa. Para a volta, eu tomava um ônibus que saía às 10 horas da cidade, que me levava até o Juruparázinho, diminuindo assim a caminhada em cinco quilômetros.

Descendo do ônibus, se estivesse chovendo pegava na mochila a capa e o guarda chuva e seguia em frente, mas geralmente neste horário era o sol quente que teria que enfrentar. Então pegava o protetor solar, dava uma boa passada no rosto, pescoço, mãos e braços, vestia o boné na cabeça e seguia em frente rumo a minha casa.

Essa volta sete quilômetros a pé, devido o sol muito quente nesse horário, não era fácil não, mas eu enfrentava com muito bom humor. Chegava sempre em casa por volta do meio dia com a roupa molhada pelo suor, e depois de um banho muito gostoso, estava pronto para ajeitar o almoço que deixava semi – pronto. Almoçava e ia direto prá cama, onde dormia até ás quatro da tarde.

Nessa época, toda quarta feira eu tinha que ir à cidade fazer compras no supermercado. Nesse dia eu usava o ônibus dos estudantes que saía ás seis horas e trinta minutos do ponto, perto do armazém do Sr. Naor. De minha casa até o ponto dava mais ou menos um quilômetro e meio.

Em frente ao ponto de ônibus, do outro lado da pista havia uma capela inacabada e abandonada. Eu por curiosidade quis saber por que não terminaram sua construção, então fiquei sabendo que a pessoa que estava á frente da construção havia falecido e as pessoas da comunidade entristecidas e sem a líder, não tiveram coragem para terminar a capela.

Que pena, pensei comigo, a capela já estava quase pronta, só faltava por o piso, o forro, as portas, os vidros, terminar a parte elétrica e pintar. Vou conversar com o pároco da nossa Paróquia e se ele me der uma mão nós vamos terminar a capela e fundar uma nova Comunidade Pastoral aqui no bairro.

Falei com ele, que na época era o padre Santo, ele veio ver e se interessou. Então eu lhe disse: se a paróquia pagar a mão de obra, eu e meus amigos aqui do bairro, vamos correr atrás do material para terminar a obra. Prá nossa alegria ele concordou.

Contratamos um construtor, e com a ajuda de Deus e de muitos doadores conseguimos todo o material para terminar a construção com uma facilidade incrível.

Assim nasceu a Comunidade de Pastoral Piratuba ll, que tem como padroeiro São João Batista, onde há seis anos, ininterruptamente todas quartas feiras têm missas e celebrações. Comecei a trabalhar na comunidade como Coordenador, depois fui Ministro da Eucaristia e hoje sou Ministro da Palavra.

As provações devem nos fazer antever o que Deus realizará. Devemos aceitá-las com alegria, não porque gostamos de provações, mas porque gostamos de seus resultados.

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Reinaldo

Reinaldo

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